25 de novembro de 2012

GAROTAS DE PROGRAMAS NAS BR.s DO BRASIL.


EM SERGIPE: GAROTAS DE PROGRAMA SÃO DESTAQUE NA GLOBO

O Profissão Repórter, programa jornalístico da Rede Globo de Televisão, transmitido todas as terças feiras pela emissora global, visitou a cidade de Estância e em seu último programa, na noite de ontem, 04, apresentou para todo o mundo a cidade de Estância de uma forma negativa: Prostituição em beira de pista foi a pauta do programa.

O Profissão repórter viajou mais de  dois mil quilômetros nas estradas do Brasil mostrando como funciona a prostituição nas cidades cortadas pelas rodovias e no estado de Sergipe, três cidades foram destaques do programa:Aracaju, Estância e Umbaúba. 

Em Estância, a equipe de repórteres fez alguns flagrantes de exploração sexual, e em especial com jovens que passam a noite nas proximidades dos postos de combustíveis do município. Emum dos postos, os programas eram feitos no próprio pátio. De acordo com a jovem Iraildes de Jesus, 18, que começou a se prostituir com treze anos, a pista é um bom lugar para conseguir conquistar seus objetivos. “Eu faço programa porque quero, não gosto de ficar dependendo da minha mãe”, desabafou a jovem que afirmou chegar a ganhar cem reais por dia. “Eu comecei a fazer programa com uma amiga minha, daí eu fui fazendo, fui fazendo e gostando e continuo até hoje”,completou a garota que afirmou ter uma clientela maior que as outras pelo fatode ser nova. De acordo com a reportagem, em Estância as jovens começam a vida sexual a partir dos onze anos e isso atrai cada vez mais os caminhoneiros que procuram aventuras sexuais. Ao ser perguntada pelo repórter qual é o melhor programa, a jovem não titubeou e foi bem enfática: “Prefiro os mais velhos porque não demoram muito”, finalizou Iraildes que afirmou não haver intervenção policial nos locais de prostituição.

De acordo com estatísticas da Confederação Nacional dos Transportes, 50% das profissionais do sexo são menores de idade e esse fato vem chamando a atenção e preocupando as autoridades.
SOBRALCidades improvisadas do prazerDemitri Túlio / O Povo
Um posto de combustível, BR-222, entrada de Sobral, 21 de setembro, noite de uma quinta-feira... A placa, em verde e amarelo, avisa que o funcionamento é 24 horas. O tempo não pára e o turno da noite transforma o posto de gasolina em uma improvisada "zona franca do prazer". Desejos efêmeros. Dez, quinze minutos, ao preço de R$ 15,00, e negócio resolvido. ... Os mais de 50 caminhões cargueiros estacionados, um ao lado do outro, criam espaços imaginários de uma cidade espremida. Esquadrinham ruas. ... Posto de gasolina, afinal, assume ar cosmopolita, local de passagem, travessia de forasteiros.
À noite pernoitam por lá porque têm medo da estrada que escurece perigosa na BR- 222 até Fortaleza ou rumo a outros destinos. Assaltos, quadrilhas, cochilos, acidentes e predação. Mas no posto, os viajantes acabam predadores. Caças também. Nas ruas estreitas, formadas simbolicamente entre as carrocerias dos trucados, há cotidianos. É a continuação de uma zona improvisada que começa na avenida principal do posto de combustível. Rua de calçamento, encardida de óleo e borracha, por onde passam (pra lá e pra cá) e se oferecem meninas e bichas. "Vamu namorá, bichim?", aborda Clara - sobralense que aparenta ter cara de 17, mas diz ter 21 anos e revela ter se iniciado na vida à beira da BR aos 15 anos. ...
As boléias servem de chatôs. À noite ganham jeitos e odores de cabaré. O banco se transforma em cama e a película nos vidros das janelas impede que a privacidade vaze. Nem tanto, todo mundo escuta, todo mundo sabe, todo dá conta de tudo. São dez ou quinze minutos... Mas não são apenas caminhoneiros que aceitam o oferecimento das caças. Clara, nome fictício da menina que foi iniciada nas histórias aos 15 anos de idade, solta que um policial rodoviário federal foi o primeiro programa. No próprio posto de fiscalização, a poucos metros do posto de gasolina. Vizinhos. ...
Procurado por O POVO, o chefe do posto da Polícia Rodoviária Federal em Sobral, Francisco Lira Pessoa, o "Chico Lira", disse que "efetivamente registrado", não sabe de nenhuma denúncia envolvendo patrulheiros em casos de abuso e exploração sexual de adolescentes na BR-222. "No posto da Polícia Rodoviária acho muito difícil". Ainda Chico Lira: "Na realidade, falo por mim. Eu tenho policiais jovens, solteiros. Não posso responder por um plantão de cinco homens. Nunca foi registrado. Por isso digo que boato é boato. Uma coisa lhe digo: se chegar uma denúncia contra um colega meu aqui, ela vai tomar o trâmite legal imediatamente".
Na giratória que dá acesso a Sobral, uma imagem de São José "olha" na direção de um dos postos de combustível onde a Polícia Rodoviária Federal mapeou como ponto de exploração sexual/comercial de criança e adolescente. O santo, que traz nos braços uma imagem do Menino Jesus, é protetor das famílias. A maior parte das meninas entrevistadas revela problemas de relacionamento com o pai, padrasto ou avô.
PENAFORTEO pátio das "quibas"Cláudio Ribeiro e Demitri Túlio / O Povo
Na esquina da avenida Antonia Matias com a BR- 116, a placa convida o forasteiro a entrar e se sentir "bem-vindo" à quente Penaforte. Mas a maioria dos que chegam estão apressados e não passam da sala de visitas onde funciona o posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). É o último ponto de apoio no Ceará antes do vizinho Pernambuco. Lá, diferente do restante do município (de pouco mais de 7.500 habitantes), tudo funciona dia e noite.
Ali, o tempo é acelerado pelo entra-e-sai de centenas de caminhões de carga que chegam e vão pra todas as partes do Brasil. Segundo quem é da cidade, são mais de 1.500 pessoas com trabalho direto ou indireto no local. Inclusive as meninas e meretrizes a cortejar viajantes. Todas, pelas contas informais, seriam mais de cem. É no pátio-estacionamento e nos arredores do posto da Sefaz que as cenas vão se desenhando.
Como cicerones, crianças biscateiras e descoladas. "Profissionais" autônomos, de oito, dez, 12 anos, pouco mais ou pouco menos, dispostos a lavar pneus, boléias e gaiolas. Também a intermediar rendezvous passageiro com essa ou aquela zinha... Em bandos, adultas ou meninas, fazem enxame no furdunço. Iluminação amarelada, caminhões estacionados, motoristas, policiais e metralhadoras, cinturão de puteiros, bares inferninhos, barracas de vender coco verde gelado, churrasquinho, chá, café, bolo mole, e um pipoqueiro. Forró nas alturas...
Penaforte, com uma população de 7.316 pessoas, fica a 546,8 km de Fortaleza. Fincada em um dos pontos mais pobres da região do Cariri, se avizinha às cidades Salgueiro (rota da maconha) e Verdejante em Pernambuco e é ponto de entrada e saída de caminhões de carga. É na boléia que meninas de outros estados chegam a uma das zonas mais concorridas do roteiro de exploração sexual e comercial de criança e adolescente do Ceará.
Segundo o Conselho Tutelar, 80% dos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes no município são oriundos do Posto de Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz), localizado na entrada da cidade. Também há muitos registros de trabalho infantil e abandono de crianças. O município não possui diagnóstico sistematizado sobre a situação da criança e o adolescente em situação de risco na zona urbana e rural.
Alex (nome fictício), 12 anos de idade, boa parte deles se virando - dia e noite - no posto da Sefaz admira-se: "Quibas? São as matutas que descem dos sítios pra cá. Matutinhas, doidinhas. Quer conversar com quem?" ... Alex experimenta aquele cotidiano há tempos. Ele mesmo já havia revelado: mora com a avó que já foi dona de um bar-prostíbulo ... O meio de vida da avó fechou. A tia de Alex abriu outro negócio e, em julho desse ano, o Ministério Público flagrou por lá duas adolescentes de Jati. Uma de 16 e outra de 17 anos de idade. As duas foram aliciadas por uma mulher. "No depoimento, uma disse que a amiga teve relações sexuais com o caminhoneiro na cama da dona do bar. Foi preso o proprietário e a agenciadora", conta Rodrigo Fernandes, 22, conselheiro tutelar.
... Poucos camioneiros quiseram falar com O POVO durante as viagens da equipe. Em Penaforte, um deles disse que a exploração sexual infanto-juvenil é idêntica ou pior nos demais estados. Citou Maranhão, Pará, Pernambuco, Paraíba, onde meninas de 12 anos ou menos se exibem por alguns trocados. "Do Ceará, Penaforte é o pior local". Casado, pai de duas filhas e um filho, 25 anos de estrada, pediu para não ser identificado.

Idade Alterada
Logo que ela passou, os traços infantis do rosto chamaram atenção. Embora o corpo já não fosse de menina. Depois da abordagem para a entrevista, ela garantia: "Fiz 18 este ano". Conversa vai, conversa vem, no dia seguinte a confirmação: Paula não tinha 18. Completou só 16 em junho passado. Confirmação dada pelo Conselho Tutelar da cidade.
Os programas sexuais, ela faz desde os 12, em frente ao pátio de caminhões do posto fiscal de Penaforte. Paula já passou por quatro notificações do Conselho Tutelar. A poucos metros do local da conversa, dois dias antes haviam matado um com sete tiros. Medo, Paula (nome fictício) disse que sempre teve. Cobra R$ 10,00 para transar, por ali mesmo ou em algum quartinho que lhe deixem entrar com o caminhoneiro. Sempre deixam.
O POVO - Você é de onde?
Paula - De São Paulo.
OP - Chegou aqui quando?
Paula -Tô aqui faz uns seis anos. Desde que eu tinha uns 12 anos.
OP - Quanto você cobra por um programa?
Paula - Dez reais.
OP - Você sobe nos caminhões ou vai para os quartos?
Paula -Tanto faz.
OP - Quantos programas por noite?
Paula - Quatro, três.
OP - Passa alguém fiscaliz
ando a presença de vocês por aqui?
Paula - Quando eu era de menor, andava escondida por aqui. Teve vez que eles já me viram, me levaram e me aconselharam. Aí pronto. Eu tinha 17 anos. Eles sabem lá, já tem meus dados. Por isso que agora eu ando por aqui normal.

Arquivo da categoria ‘Exploração Sexual’

Documentos relatam casos de aliciamente até nas dependências de uma igreja evangélica de Iranduba. Grupo identificado como ‘Fênix’ atrai vítimas com falsas promessas e as deixa em ‘casas de massagem’ de Manaus.

Uma rede de prostituição identificada como  grupo “Fênix” está recrutando adolescentes e crianças no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) para  trabalhar em  prostíbulos da capital amazonense. Nos últimos 40 dias, oito casos foram registrados na 31ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP).

Nesta quarta-feira (24), o jornal A CRÍTICA teve acesso com exclusividade a documentos que relatam o esquema, com casos de aliciamente até nas dependências de uma igreja evangélica de Iranduba.
Segundo uma das vítimas, Renata Silva, 14, (nome fictício), foi no templo religioso que a vida dela começou a virar de cabeça para baixo. Durante os cultos, a adolescente era constantemente seduzida com oferta de  emprego  em “casa de família”, mas acabou  numa casa de prostituição em Manaus.
Conforme a adolescente, uma mulher identificada apenas como “Samara” dizia a ela que o emprego era para  cuidar de uma criança no bairro Alvorada, Zona  Centro-Oeste. A menina recusou. “Todas as vezes que ia ao banheiro da igreja, “Samara” me acompanhava para dizer que meu lugar não era ali”, contou.
Sem êxito nas investidas, “Samara” marcou um encontro com Renata Silva para supostamente conversar sobre “problemas pessoais”. Chegando ao local combinado, próximo à praça dos Três Poderes, no Centro de Iranduba, Samara pediu que a adolescente entrasse no carro e juntas seguiram até o restaurante Canoeiro, onde dois homens não identificados as aguardavam.
“Lá ela disse a eles: ‘Agora é com vocês. Ela está entregue’. Em seguida, me disse para não reagir, pois estavam armados e que se fizesse isso me matariam”, lembrou a adolescentes. “Mas eu reagi com gritos e um dos homens colocou um lenço no meu nariz e desmaiei”, completou.
A adolescente ainda contou que foi levada à um sítio e depois a uma casa de prostituição, próxima a um hotel em Manaus, onde identificou inúmeras crianças e adolescentes que pediam ajuda para sair do local.
“Eram vários quartos e cheguei a presenciar crianças fazendo sexo com adultos. Elas choravam bastante, então passei a gritar foi quando novamente a Samara apareceu para me acalmar e me deu um copo de suco e fiquei desacordada”, disse a adolescente bastante chocada.
Ao acordar, na manha da terça-feira, Renata Silva foi levada até a uma rua no bairro do Santo Antônio, Zona Oeste de Manaus, onde tomou um ônibus para o município de Iranduba. “Antes de sair do carro, Samara me disse que foi apenas um susto e na próxima vez eu não retornaria”, completou.
Promessas
Caso semelhante aconteceu com as adolescentes, Janaína Bartolomeu e Paula Bentes (nomes fictícios), ambas de 13 anos. Elas relataram que tiveram um contanto com Adriano Santos de Andrade, que está preso e um homem identificado apenas como “Patrick” (foragido). As adolescentes contaram que Patrick lhes prometia casa, faculdade, viagem e dinheiro , em troca de favores sexuais comandados pelo grupo Fênix.

Influenciadas, Janaína e Paula foram levadas a uma embarcação e dela para um sítio em Manaus, local semelhante ao identificado por Renata Silva. No local, diante da ameaças de morte, aproveitaram a distração dos membros da rede e fugiram até uma estrada onde encontraram um motorista que as levou a delegacia.
Um dos suspeitos de envolvimento com o grupo Fénix, Adriano Andrade, negou a participação alegando que as adolescentes sairam “de livre e espontânea vontade” e em nenhum momento foram ameaçadas. Já Patrick continua foragido. Em depoimento, Renata Silva disse que também foi aliciada por Adriano e Patrick, com promessa de melhor condição de vida.
Investigação:
A polícia investiga o desaparecimento da estudante Raquel da Silva Araújo, 18, ocorrido no dia 7 deste mês. De acordo com o pai dela, Manoel Assis Pinto, 40, a filha saiu para votar na escola Creuza Abess Farah, no bairro Alto, em Iranduba, e não retornou. Ele contou que Raquel passou a ser influenciada por um colega que morou na casa dele por três meses.

“Um semana após mandá-la embora, minha filha sumiu”, lamentou. Já a mãe, Francisca da Silva Farias, 43, contou que mateve contato com Raquel há dez dias. Ela disse que tinham oferecido à filha notebook viagens e dinheiro. “Sei que ela não está bem, percebi que ela estava rouca, que me ajudem a encontra a minha filha”.
Frase
“Já pensei em cometer suicídio. Desde o desaparecimento da minha filha, não tenho mais uma vida normal. Sei que ela está sofrendo”. (Manoel Pinto, pai de uma das vítimas)
Fonte: acrítica.com

programa da região do Baixo Augusta.
Caminhei uns 3 minutos e cheguei na boate The Big Ben. Duas moças loiras e de saltos altíssimos estavam na porta e me falaram "Boa nooooite" quase que ensaiadas e sorridentes. Eu falei que era jornalista e queria bater um papo com elas. Ambas toparam e me chamaram para conversar na frente da fonte de água que você vê na foto.
Fernanda, 21, e Priscila, 20 anos, me disseram que são primas e trabalham há quatro meses como garotas de programa. Quem as convidou para esta vida foi a própria tia, que é gerente da casa, e já havia recrutado mais parentes sem que ninguém da família desconfiasse. As mães de ambas, inclusive, pensam que elas trabalham com a tia em um supermercado. A jornada de trabalho é de segunda a sábado, das 20h até às 4h da manhã, inclusive nos feriados. Elas ganham R$ 1.200,00 fixo (pois são dançarinas) e cobram + R$ 200,00 por programa. A Priscila confessou que odeia os velhos casados que vão lá só para conversar e reclamar das esposas. Já a Fernanda, disse que acha bizarro os pais que levam os filhos gays e os obrigam a se converterem em héteros. "Tem pai que traz o filho aqui e oferece R$ 500,00 pra menina que conseguir fazer o filho ter uma ereção e consumar o ato. As vezes a gente faz um acordo com o filho e mentimos para o pai, só pra ele ficar satisfeito e achar que o Júnior é macho". As duas primas disseram que odeiam este tipo de vida e estão nessa por uma fase provisória, pois não nasceram para serem putas. Elas tem o desejo de voltar a estudar... mas disseram que o dinheiro fala mais alto.
Cheguei no Las Jegas e fui informado que para conversar com qualquer menina, eu deveria pagar R$ 10,00 de entrada e teria uma cortesia de 2 latas de cervejas, sendo proibida qualquer tipo de interação na calçada. Eu aceitei e ao entrar lá, as meninas me disseram que só topariam dar a tal entrevista caso eu pagasse tequilas para elas. Expliquei que estava sem dinheiro e passei a ser ignorado. Após tentar puxar papo, uma delas disse ao segurança que eu estava sendo inconveniente e fui convidado a me retirar. Tentei negociar e consegui pegar as minhas duas latas de cerveja antes de ir embora, afinal, eu estava com sede.
Me dirigi ao Blue Night Show pensando em como iria convencer alguma menina a conversar comigo. Por sorte, conheci a Giovana, 29 anos, que era tão desinibida que me pediu "Vamos tirar uma foto minha lá fora? Tem um carro vermelho que vai combinar com o meu vestido!"
Após eu fazer o click, ela disse que o seu recorde foi ganhar R$ 6 mil em uma semana, mas gastou todo o dinheiro sem saber no que exatamente. Entre os seus planos para o futuro, o que mais a empolga é abrir um pet shop, pois ela ama animais. Inclusive, ela mora com a sua mãe, dois gatos e um cachorro. "Eu já trabalhei como babá de crianças, fui cuidadora de velhinhos que precisam de enfermeira e não pense que já transei com eles. A relação era só profissional, nada de sexo, eu juro! Aliás, sempre que eu desisto de trabalhar como puta, eu volto a cuidar dos velhinhos... e nunca ninguém suspeitou de nada, nem mesmo a minha própria mãe. Ela me acha uma santa e conta pra vizinhança inteira que eu ganho muito dinheiro como babá." Eu ofereci uma cerveja para a Giovanae ao tirar os R$ 25,00 restantes da carteira, ela disse que quem iria pagar era ela: "Jornalista, eu aposto que ganho mais do que você, deixa que eu te pago."
Pois bem, após entrar em 3 boates, eu decidi caminhar pelas ruas e tentar conversar com alguma garota que estivesse parada em uma das esquinas da região. Andei pelas ruas  Fernando de Albuquerque, Costa, Bela Cintra e ouvi inúmeras recusas. Confesso que uma das garotas me pediu R$ 20,00 antes de aceitar conversar, e quando eu lhe entreguei o dinheiro, ela saiu andando dando risada, me deixando com apenas R$ 5,00 dentro da carteira e uma enorme cara de idiota.
Mas foi na esquina da rua Mathias Aires com a Haddock Lobo que encontrei a Laura, de 38 anos, que você vê na foto abaixo. Ela me contou que teve um derrame no ano passado e por isso só tem movimentos em uma das metades da face, pouco conseguindo mexer a mão esquerda. Ela me contou que já foi casada, mas mesmo assim fazia programas escondidos do marido. Após a separação, ele a encontrou um dia na rua e ficou chocado ao descobrir que ela era garota de programa. "Mas eu me surpreendi, porque um dia ele voltou nesta mesma esquina e quis trepar comigo, pagando o hotel e tudo. Me falou que tinha ficado com este fetiche na cabeça desde que soube que eu era puta."
Eu conversei com a Laura por uns vinte minutos naquela esquina, ela me contou várias aventuras e todas as maluquices que já fez em troca de dinheiro, enquanto gargalhava ao lembrar dos detalhes. Algumas não cabem escrever aqui, outras eu nem saberia como redigir. Quando eu estava indo embora, pois já havia tentado me despedir diversas vezes, a Laura me disse: "Olha, mocinho, eu vou te contar a pior coisa que já me aconteceu na vida. Quero que você publique isso e jure que vai colocar na matéria que nenhuma mulher deve jamais se prostituir. Uma vez um cliente me levou embora no carro dele e me ofereceu muita cocaína. Eu comecei a cheirar, mas ao invés de ficar ligadona, acabei dormindo... sei lá o que cheirei, mas quando acordei eu estava num quarto escuro. Ele me manteve lá presa por alguns dias e fez de tudo comigo, eu pensei que fosse morrer e algumas vezes até acharia melhor que isso tivesse acontecido. Mas não, ele preferiu me soltar e me deixou em uma estrada, tive que voltar pra casa pedindo carona para quem tivesse humanidade perante a minha situação. Hoje eu estou aqui, viva e continuo a me prostituir, mas não desejo isso nem mesmo para o meu maior inimigo."
Eu usei os R$ 5,00 restantes da minha carteira para comprar uma cerveja e dividí-la com a Laura, que me emprestou mais R$ 1,00 para completar a grana da garrafa. Fui embora para a minha casa pensando que, as vezes, pagamos um preço muito alto para viver.
*Fotos por Felippe Canale.


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